João Batista Barros da Silva Filho
Subsecretário de Fiscalização da Receita Federal
Qual a diferença da inovação no setor público para a inovação no setor privado?
''Em relação à inovação em si, não tem muita diferença, se você pegar o processo inovação o setor público hoje é tão inovador quanto o setor privado. O que às vezes tem diferença é a motivação, o que é natural, considerando que as organizações privadas tem por natureza o objetivo de maximizar o valor da empresa. As instituições públicas tendem a cumprir sua função institucional e entregar melhores serviços à sociedade. Mas o processo em si de inovação é muito parecido: elas buscam novas formas de fazer coisas, sempre buscando ou fazer melhor o que já fazem ou fazer algo que ainda não fizeram para tentar alcançar esses objetivos. Então o processo em si é muito parecido e é muito presente, ao contrário do que pensam. As organizações públicas, a exemplo da Receita Federal, todos os dias estão pensando em como fazer melhor, em como fazer de forma nova. A gestão pública tem por natureza que os atos sejam transparentes, sejam públicos, que a população possa saber sobre as decisões, sobre os processos de trabalho das organizações públicas, o que não é válido para o setor privado, ainda que muitas organizações privadas, nessa lógica de convergência que a gente tá falando, tenham adotado também algumas políticas de transparência, políticas de publicação de resultados, balanço social, mostrando quantos empregos, quanto do recurso investido foi para pagar os trabalhadores, quanto foi para o lucro. Então isso tudo ajuda a população a compreender melhor o papel daquela empresa. Então a organização pública já por natureza tem esse trabalho só que muitas das privadas buscam se inspirar nisso para ganhar a população em termos da sua importância para aquela comunidade.''

Prof. Dr. Joaquim Caeiro
Professor do ISCPS-Ulisboa
Como a gestão pública pode ser democratizada e qual é a importância disso?
''Uma questão que falei a pouco sobre Governança Democrática, o que leva outra questão que é a Boa Governança. Boa Governança significa que há um conjunto de supostos que se pode verificar para que a gestão publica possa efetivamente alcançar objetivos e que esses objetivos afetem a sociedade positivamente. Os responsáveis políticos dos poderes públicosresponsabilizados pelas suas ações, quando governam mal, quando não são eficientes, quando não são eficazes, é questão da transparência. Uma das questões importantes na discussão da transparência e em que alguns Estados da Europa já se faz é: eu saber para onde que vai meu dinheiro quando eu pago o imposto. Finlândia, Dinamarca, Noruega, já fazem isso, dizem para onde o seu dinheiro foi. A transparência é importante, evita as questões da corrupção, que são terríveis, não só no Brasil, mas em Portugal e em outros países onde não se mede essa efetividade da transparência, ninguém quer saber. A participação do cidadão é outra das questões que leva a uma boa gestão pública porque o cidadão tem que ser responsabilizado também por sua intervenção, mas o poder público precisa lhe dar esse espaço, criar mecanismos, condições para que o cidadão possa dizer “eu quero isso e não quero aquilo” e na maior parte das vezes os políticos não querem saber isso. Portanto, a gestão pública e a sua lógica de democratização passa, sobretudo, por significar positivamente esses pressupostos evocados.''

Prof. Tales de Sá Cavalcante
Reitor FBUNI
Para o senhor, o universitário pode ter papel na inovação? E qual seria primeiro passo a ser tomado pelo universitário para que este possa fazer sua parte na inovação?
''Sem dúvida ele tem que fazer parte na inovação! Como disse a pouco tempo, hoje em dia o mundo avança tão rápido que quem não inova vai indo para trás, porque os outros estão indo para frente. Se ele está parado, do ponto de vista relativo, ele está indo para trás. Vale a pena lembrar, vocês estudaram física, há uma brincadeira que não se sabe se foi verídica, mas acredita-se que sim, que quando Einstein viajava, ele dizia para a mulher dele “tchau, boa viagem”. Com o referencial dele sendo o avião quem se deslocava era a mulher e ele estava parado. Então isso é apenas para que se entenda como é o mundo de hoje: se for parado você está andando para trás, de modo que a gente acha que o universitário está numa fase decisiva, ele está começando a se formar para mudar o mundo, e principalmente mudar o Brasil, então sem dúvida ele deve estudar ao máximo para adquirir conhecimento e principalmente deve ir em busca da inovação.''

Prof. Dr. Ricardo Ramos Pinto
Presidente do ISCSP-UNILISBOA.
Quais são as suas expectativas com o protocolo firmado com o Centro Universitário Farias Brito? O que a comunidade acadêmica dessas duas instituições podem esperar?
''Como eu falei na minha apresentação, nós temos uma educação toda baseada em diversos polos e temos bastante otimismo com essa parceria na qual está previsto o intercâmbio de alunos e formação, para a partilha de equipes de investigação, para melhor aproveitamento entre as duas instituições. Como eu disse, é uma dinâmica que vai ser de entender a questão mais das vontades individuais dos centros e do todo, visando todo um crescimento e promover essa parceria.''
